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Stuart

Releitura do tributo ao cotidiano chulo – EP 2004.
Stuart.


Kaly desenhou um novo destino à sua música. A frente desde 1993 na cena punk rock catarinense, integrando bandas como enzime e big head and the drunks, apostou em suas novas influências para traçar de vez o caminho por onde percorrer por toda sua existência. Fez uma espécie de “carreira solo” apenas com o intuito de transpor suas canções não formatadas as suas velhas bandas, para as pessoas na qual cruzavam seu caminho. Em poucos e toscos acordes, conseguiu a façanha de produzir verdadeiros hinos obscuros com suas letras basicamente articuladas pelo cotidiano em que vivia na época. Noites alucinadas de bebedeira, mágoas de amores inflamados, desejos e paixões não retribuídas e desilusões sociais. O tempo passou e as facilidades de gravar, mesmo que grosseiramente suas canções, rendeu a kaly uma compilação de sons compostos na primeira fase dessa aventura. O resultado, nos trouxe o “Trilha sonora para nossas vidas” um cd-r com 10 músicas destacando seus três acordes apimentado por barulhinhos vindos de um teclado velho e uma voz rasgada e bêbada, cuspindo refrões grudentos como “me de um motivo pra não cheirar cola essa noite” e “os ricos estão todos na praia”. Kaly assinou o disco como Stuart.
A idéia era clara. Gravar um disco bêbado e sem nenhum objetivo de agradar a ninguém. Mas esse objetivo não foi possível graças a um pequeno número de pessoas, que, ao ouvir as músicas, de alguma forma se sentiram compenetrados nessas histórias boemias e tiveram a iniciativa de divulgar o disco para seus amigos. E assim foi, a cada dia uma nova alma se tentava aos refrões mal polidos do Stuart. Graças a esse disco, kaly conheceu pessoas, novas histórias, outras formas de ver o mundo e percebeu que era hora de levar esse projeto para frente e dar continuidade a toda essa loucura sem pé nem cabeça. Pegou seu violão e saiu por ai, cantando e bebendo.
Já estávamos nos últimos anos da década de noventa e kaly convidou alguns amigos para acompanha-lo nos shows que tinha marcado. Logo de cara, se viu tocando com um dos ícones de sua geração, que a pouco trilhava um caminho parecido – em escala bem maior e qualidade superior, diga-se de passagem – Wander Wildner na qual raptou uma das canções do Stuart para integrar a seu repertório (Um bom motivo – do disco Trilha sonora para nossas vidas). Com várias formações, Stuart, já como banda, fez irregulares shows por Santa Catarina, mas o processo de composição e gravação ainda era o velho estilo solitário. Ainda nesse formato, no inicio do século 21, gravou um Ep intitulado “Eu não quero ser Stuart” e vários singles, destacando Punk Falido, Esperando te ver, e Pés no Chão – na qual ganhou um clipe surreal produzido pelo diretor de cinema Ramiro Pisseti. Mergulhando e afundando suas influências no rock gaúcho de Graforreia Xilarmonica, Replicantes, Jupter Maça e no folk rock americano de Johnny Cash e neutral milk hotel e Neil Young, kaly buscou também inspiração na literatura beatnick, no estilo de vida alternativa – e nas histórias looser de John Fante e Bukowski, rendendo uma nova visão literal à suas canções.
Era a hora e o lugar certo, kaly resolveu fazer desse personagem uma banda de verdade, e na companhia de velhos amigos remontou o Stuart a fim de pegar a estrada, tocando e se dedicando muito mais a música do que quando a usava como fuga de uma vida sem sentido. Essa formação trouxe vida nova, novos formatos às velhas músicas e uma sede de compor novos discos, pela primeira vez, montado a quatro cabeças. E desde então Cristiano, Magola e Maneta começaram a fazer parte dessa história. O resultado dessa junção, está no EP lançado em setembro de 2004, chamado “Releitura do tributo ao cotidiano chulo”. Uma análise poética a nova edição de suas músicas anteriormente gravadas na solidão de um quarto frio.
Filmes, livros e discos. Existe algo mais completo dentro das expressos sentimentais dos seres humanos do que essas três opções? E foi lá que o novo Stuart foi buscar suas novas inspirações. Os filmes mais estranhos, os livros mais crus e os discos mais toscos. Essa é a combinação perfeita detalhada para exprimir o que a banda quer repassar em seu novo cd – o primeiro longa assinado como banda – que tem uma previsão de lançamento para o começo de 2005.

Stuart é:

Kaly – violão, guitarra e voz
Cristiano – guitarra e backing vocal
Magola – bateria e backing vocal
Maneta – baixo.

 

 
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